Enciclopédia

Biblioteca

A biblioteca é o apoio aberto, em modo de leitura, de toda leitura. É o vocabulário nativo da tradição — nomes simples, cada um com a sua glosa, dispostos para serem percorridos com calma. Por ora, ela cobre a tradição Tropical ocidental; outras tradições se juntarão a ela quando estiverem verificadas e citadas.

Planetas

Os corpos do céu — cada um um princípio, uma função que age dentro de quem nasce sob ele.

Sol
O centro e a vitalidade: o princípio que organiza a identidade, a vontade consciente e o sentido de propósito.
Lua
A vida interior: as necessidades, os hábitos, a memória afetiva e o modo de buscar abrigo e pertencimento.
Mercúrio
A mente que percebe e comunica: como se pensa, se aprende, se nomeia e se troca a palavra com o mundo.
Vênus
O que atrai e harmoniza: o gosto, o afeto, o valor que se dá às coisas e o modo de se vincular e apreciar.
Marte
A força que age: o desejo, a iniciativa, a coragem e o modo de afirmar-se e enfrentar o obstáculo.
Júpiter
O princípio de expansão: o sentido, a confiança, a busca de significado e os horizontes que se quer alcançar.
Saturno
O princípio de limite e estrutura: o tempo, a responsabilidade, a maturação e aquilo que se constrói com disciplina.
Urano
A ruptura e a singularidade: o súbito, o original, a liberdade e o impulso de romper com o que já não serve.
Netuno
A dissolução das fronteiras: o sonho, a imaginação, a compaixão e o que se intui para além do contorno nítido.
Plutão
A transformação profunda: o que morre e renasce, o poder, a intensidade e os processos que mudam alguém pela raiz.
Nodo Norte
O ponto onde a órbita da Lua cruza a eclíptica rumo ao norte. Na tradição, aponta uma direção de desenvolvimento, um caminho a percorrer.
Quíron
O corpo entre Saturno e Urano associado à ferida e ao cuidado: onde dói, e onde, por isso mesmo, se aprende a curar e a ensinar.

Signos

As doze qualidades do zodíaco — cada uma um tom, um modo de uma função se expressar.

Áries
O impulso que inicia: começo, coragem e o gesto direto, antes da hesitação. Signo de fogo, cardinal.
Touro
A raiz que se firma: estabilidade, sentido e o apreço pelo que é concreto e durável. Signo de terra, fixo.
Gêmeos
A mente que liga: curiosidade, palavra e o trânsito ágil entre ideias e pessoas. Signo de ar, mutável.
Câncer
O abrigo que acolhe: cuidado, memória e o vínculo com a casa e a origem. Signo de água, cardinal.
Leão
A luz que se expressa: presença, generosidade e o gosto de criar e ser visto. Signo de fogo, fixo.
Virgem
O cuidado que refina: análise, serviço e a busca de melhorar o que está ao alcance da mão. Signo de terra, mutável.
Libra
O equilíbrio que relaciona: medida, justiça e a atenção ao outro e ao acordo. Signo de ar, cardinal.
Escorpião
A profundidade que transforma: intensidade, verdade e o mergulho no que está oculto. Signo de água, fixo.
Sagitário
O horizonte que chama: sentido, viagem e a busca por uma verdade mais ampla. Signo de fogo, mutável.
Capricórnio
A obra que se ergue: estrutura, ambição e o trabalho paciente rumo ao alto. Signo de terra, cardinal.
Aquário
A visão que rompe: singularidade, futuro e o pertencimento ao coletivo. Signo de ar, fixo.
Peixes
A entrega que dissolve: compaixão, imaginação e a porosidade entre o eu e o todo. Signo de água, mutável.

Casas

Os doze setores do mapa — os domínios da vida onde os planetas atuam.

Casa 1
O limiar: o corpo, a aparência e o modo de chegar ao mundo e iniciar. Começa no Ascendente.
Casa 2
O que se tem e se valoriza: recursos, posses e o sentido de segurança material.
Casa 3
O entorno imediato: a palavra, o aprendizado cotidiano, os irmãos e os trajetos curtos.
Casa 4
A raiz: o lar, a família de origem, a intimidade e o fundamento sobre o qual se assenta a vida.
Casa 5
A criação e o prazer: o gesto criativo, o jogo, o romance e os filhos.
Casa 6
O trabalho e o cuidado: a rotina, a saúde, o serviço e o ofício do dia a dia.
Casa 7
O outro: as parcerias, o casamento, os acordos e os encontros que espelham. Começa no Descendente.
Casa 8
O que se compartilha em profundidade: a intimidade, as crises, os recursos do outro e os processos de transformação.
Casa 9
O longe: a viagem, o estrangeiro, a filosofia, a fé e o estudo que amplia o horizonte.
Casa 10
O alto visível: a vocação, a carreira, a reputação e o lugar que se ocupa no mundo. Começa no Meio do Céu.
Casa 11
O coletivo: os amigos, os grupos, as causas e os projetos para o futuro.
Casa 12
O recolhido: o que fica nos bastidores, o retiro, o invisível e a vida interior que se elabora a sós.

Aspectos

As distâncias angulares entre dois corpos — o diálogo geométrico entre funções.

Conjunção
Dois corpos no mesmo grau (0°): funções que se fundem e passam a agir como uma só, para o melhor e para o mais intenso.
Sextil
Sessenta graus entre dois corpos: uma facilidade que se oferece, um talento que se ativa quando se quer usá-lo.
Quadratura
Noventa graus entre dois corpos: uma tensão produtiva, um atrito que pede ajuste e costuma mover a pessoa à ação.
Trígono
Cento e vinte graus entre dois corpos: um fluxo natural, uma harmonia entre funções que se sustentam com pouco esforço.
Oposição
Cento e oitenta graus entre dois corpos: uma polaridade, um eixo que pede equilíbrio entre forças que se contrapõem.

Ângulos

Os quatro pontos cardeais do mapa — as cruzes onde o céu toca o horizonte.

Ascendente
O grau que nascia no horizonte leste no instante do nascimento: a porta de entrada da pessoa no mundo e o modo de se apresentar.
Meio do Céu
O ponto mais alto do mapa: a vocação, o que se busca tornar visível e o lugar público que se aspira ocupar.
Descendente
O grau que se punha no oeste: o domínio do outro, das parcerias e do que se encontra no encontro.
Fundo do Céu
O ponto mais baixo do mapa: a raiz íntima, o lar interior e o fundamento privado da pessoa.

Dignidades

A condição de um planeta no signo onde se encontra — quão à vontade ele opera.

Domicílio
O planeta em casa própria — no signo que rege. Opera com naturalidade e força, como quem age em terreno conhecido.
Exaltação
O planeta num signo que o honra e eleva: sua função se expressa de modo especialmente claro e bem-recebido.
Exílio
O planeta no signo oposto ao seu domicílio: opera fora de casa, com menos apoio, e precisa de mais consciência.
Queda
O planeta no signo oposto à sua exaltação: sua função tende a se expressar com dificuldade, pedindo cuidado e maturação.

Elementos

As quatro naturezas que repartem os signos — fogo, terra, ar e água.

Fogo
Ardor e iniciativa: a energia que se lança, inspira e aquece. Áries, Leão, Sagitário.
Terra
Concretude e sustento: o que se firma, produz e se torna durável. Touro, Virgem, Capricórnio.
Ar
Pensamento e relação: o que liga, comunica e dá sentido ao convívio. Gêmeos, Libra, Aquário.
Água
Sentir e vincular: o que acolhe, intui e mergulha na profundidade. Câncer, Escorpião, Peixes.

Modalidades

As três qualidades que atravessam os elementos — o modo de cada signo agir no tempo.

Cardinal
A qualidade que inicia: começa estações e movimentos, abre caminhos. Áries, Câncer, Libra, Capricórnio.
Fixo
A qualidade que sustenta: estabiliza, aprofunda e persevera. Touro, Leão, Escorpião, Aquário.
Mutável
A qualidade que adapta: transita, ajusta e prepara a mudança. Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes.

Movimento

O estado aparente de um corpo no zodíaco — como ele caminha, visto da Terra.

Direto
O corpo avança no zodíaco no seu sentido habitual — o movimento aparente comum.
Retrógrado
Movimento aparente para trás, visto da Terra: tradicionalmente lido como uma função que se volta para dentro, revisita e aprofunda.
Estacionário
O instante em que o corpo parece parar, antes de mudar de direção: um momento de concentração da sua qualidade.
A linguagem nunca calcula — cada glosa vem do glossário, jamais do número.