Norma pública · v1.1 · CC BY 4.0

A Escala SOLOLOS de Proveniência

A astrologia tem uma única escala de rigor que o campo inteiro respeita: o Rodden Rating, que classifica a confiabilidade da hora de nascimento. Ninguém fez o mesmo para as fontes textuais — de onde vêm, afinal, as coisas que a astrologia afirma.

Nós citamos tudo. Mas citar não é classificar. Esta é a escala que classifica — e a primeira coisa que ela faz é medir a nossa própria dívida, em público, enquanto ela ainda existe.

A nossa dívida, em números

Estes números são contados agora, na biblioteca viva — não escritos à mão. Quando levantamos uma fonte, eles se movem sozinhos.

100% das nossas 424 folhas parecem fonteadas. 1.4% carregam a prova.

Toda folha exibe as fontes primárias verificadas da sua tradição — links reais, abertos um a um. Mas a fonte que LOCALIZA não é a fonte que ATESTA: ninguém verificou aquela afirmação naquela fonte. Sob esta norma, selo herdado não existe.

2 tradições não estão nestes números. Os calendários maia e mexica são conhecimento vivo de povos vivos, e nós ainda não conversamos com as instituições que os guardam. Enquanto essa conversa não acontece, o que estudamos sobre eles fica reservado — inclusive a contagem. Nada foi apagado, e o trabalho não parou: 2 afirmações já seladas que não entram no placar acima.

Medida estrutural (o que a folha carrega). O selo afirmação por afirmação é a auditoria do corpus, e ela mal começou: 64 afirmações classificadas de 424 folhas. A distância entre esses dois números é a dívida — e é por isso que ela fica aqui, à vista, e não numa nota de rodapé.
TradiçãoFolhasFonte própriaFonte herdadaPassagem verbatim
Ocidental tropical791781
Védica (Jyotish)811801
Ba Zi411401
Zi Wei Dou Shu501491
Tử Vi241231
Saju191180
Egípcia261250
Persa-árabe181171
Tibetana271260
Mahabote171160
Pawukon421410
11 tradições424114136

As afirmações já seladas, por selo

MP0
EC14
TS30
TT6
NV0
AT0
ER0
EP12
EI2
ET0
LC0

As primeiras seladas são as que já tinham a prova na mão: as passagens verbatim, com original, tradução e link conferido. É de propósito — começar pelo que é fácil e honesto, e não pelo que é vistoso. As 360 restantes esperam a auditoria.

A escala em ação

A norma acima é abstrata; isto é o selo na frase — o que você lê, de verdade, numa afirmação já auditada. Um exemplo por tradição, do selo mais alto ao mais baixo.

O zodíaco não tem começo natural — porque é um círculo. Ptolomeu diz isso com todas as letras, e explica que se ADOTA o signo que começa no equinócio vernal, Áries, como ponto de partida de todos. O zodíaco tropical é, na sua própria fonte, uma convenção declarada — não um fato do céu.

TS Ptolomeu, Tetrabiblos I.10 — "Of the Effect of the Seasons and of the Four Angles"

Cláudio Ptolomeu · F. E. Robbins (tradução do grego, Loeb Classical Library, 1940) · Bill Thayer / LacusCurtius, Univ. de Chicago (transcrição e hospedagem aberta)

A astrologia védica repousa sobre uma astronomia que mede o tempo antes de julgá-lo: o Surya Siddhanta, o texto astronômico fundador, define o dia sideral como sessenta nadis (cada nadi vale vinte e quatro minutos). É a unidade de que os cálculos hindus partem.

TS Surya-Siddhanta I.12 (a definição do dia sideral em nadis)

Ebenezer Burgess (tradução do sânscrito, Journal of the American Oriental Society, 1860) · Internet Archive (digitalização e hospedagem aberta)

A lista canônica mais antiga dos cinco agentes (五行, wǔxíng) não está num manual de Ba Zi: está no 'Grande Plano' (洪範) do Livro dos Documentos, um dos clássicos mais antigos da China. Ali eles aparecem em ordem — água, fogo, madeira, metal, terra —, cada um com a sua natureza: a água molha e desce; o fogo arde e sobe; a madeira se curva e se endireita; o metal cede e se molda; a terra semeia e colhe. É a raiz textual da doutrina que o Ba Zi herdaria e sistematizaria séculos depois.

TS 尚書·洪範 (Shàngshū, 'Grande Plano' / Hóng Fàn) — o parágrafo dos cinco agentes. Tradução inglesa de James Legge (The Chinese Classics / The Sacred Books of the East), domínio público, hospedada com o texto chinês ao lado e permalink por capítulo pelo Chinese Text Project.

James Legge (tradutor, do chinês clássico) · Chinese Text Project — ctext.org (Donald Sturgeon: edição eletrônica, texto chinês pareado e permalink estável por capítulo)

A tradição persa nomeia os doze signos na sua própria língua: o Bundahishn os lista em persa médio, do Cordeiro (Varak, Áries) ao Touro (Tora), aos Gêmeos (Do-patkar), ao Caranguejo (Kalachang), ao Leão (Sher)… até o Peixe (Mahik). O zodíaco não chegou ao persa como decalque do grego — a linhagem tem os seus próprios nomes.

TT Bundahishn II.2 (a formação dos luminares — os doze nomes do zodíaco)

E. W. West (tradução do persa médio/pahlavi, Sacred Books of the East, 1880) · Joseph H. Peterson / avesta.org (digitalização e hospedagem aberta)

O Zi Wei Dou Shu (紫微斗數, 'astrologia da Estrela Púrpura') não é uma curiosidade de museu: é uma prática viva e difundida. A antropóloga Stéphanie Homola, que fez trabalho de campo entre adivinhos em Taipé, Pequim e Kaifeng, descreve-o como um dos DOIS métodos adivinhatórios mais comuns em Taiwan — ao lado do ba-zi (os 'oito sinais'). É o método dos doze palácios, medido não por quem o vende, mas por quem o estuda.

EP Stéphanie Homola, The Art of Fate Calculation: Practicing Divination in Taipei, Beijing, and Kaifeng (Berghahn Books, 2023) — Introdução. Trecho lido no PDF de introdução em acesso aberto, hospedado pela própria editora.

Stéphanie Homola (autora; antropóloga — erudição revisada por pares) · Berghahn Books (editora acadêmica; introdução em acesso aberto)

O Saju não é folclore marginal na Coreia: é objeto de pesquisa acadêmica revisada por pares. Kim Mantae, num levantamento do estado da arte, escreve que o saju-myeongni formou por muito tempo o sistema de pensamento de base do povo coreano e segue operando, de modo contínuo, na vida coreana até hoje.

EP 김만태, 「한국 사주명리 연구의 현황과 과제」 (O estado da arte e as tarefas da pesquisa coreana sobre o Saju), 동방문화와 사상 (East Asian Culture and Thought), vol. 2016, n. 1, pp. 209-249

김만태 (Kim Mantae), autor · 동방문화와 사상 (periódico acadêmico revisado) · KCI — Korea Citation Index (índice nacional de periódicos revisados, que hospeda o registro e o resumo)

Os decanos egípcios não são uma reconstrução moderna: estão figurados no teto do templo de Hathor, em Dendera — hoje no Louvre, inventário E 13482. O museu descreve o relevo como zodíaco, decanos e constelações. A fonte, aqui, é o próprio monumento.

EI Zodíaco de Dendera — teto do templo de Hathor (relevo em arenito), Louvre, inv. E 13482

Musée du Louvre (guarda, conservação e publicação aberta do registro e das imagens do objeto)

O texto seminal da adivinhação tibetana tem autor e data: o Vaidurya Karpo (o Berilo Branco), composto por Sanggye Gyatso (1653–1705) — o regente do Quinto Dalai Lama. As pinturas de adivinhação elemental que se vêem em museus são ilustrações dele.

EI Ronit Yoeli-Tlalim, “The White Beryl Illuminated Manuscript: Tibetan Divination” — ensaio do Project Himalayan Art

Ronit Yoeli-Tlalim (autora) · Rubin Museum of Art (a instituição que publica e responde pelo ensaio, e que guarda as pinturas)

O pawukon de 210 dias não corre sozinho: ele é um entre vários ciclos concorrentes que giram ao mesmo tempo — o pasaran de cinco dias, o wetonan de 35, o windu de oito anos, o kurup de 120 — sobre os ciclos regulares de sete dias e do mês lunar. A conta do calendário balinês-javanês é a combinação deles.

EP N. Karjanto & F. Beauducel, “An Ethnoarithmetic Excursion into the Javanese Calendar” — capítulo revisado por pares no Handbook of the History and Philosophy of Mathematical Practice (Springer). O capítulo publicado está em paywall: o trecho abaixo foi lido no PREPRINT ABERTO DOS PRÓPRIOS AUTORES (arXiv:2012.10064), que é também o link que damos, para que qualquer pessoa possa conferir sem pagar.

Natanael Karjanto e François Beauducel (autores) · Springer (edição revisada por pares) · arXiv (preprint aberto dos autores, e o que nós efetivamente lemos)

O mesmo céu, muitas tradições

A prova de que esta régua não é ocidental não está numa afirmação sozinha — está entre elas. Quando a mesma doutrina aparece selada em duas ou três tradições, com fontes independentes, a pan-tradicionalidade deixa de ser promessa e vira dado citável.

Os 36 decanos — o céu partido em trinta e seis

Dividir o zodíaco em 36 faces de 10° e dar a cada uma a sua imagem é um gesto que aparece, com fontes próprias e independentes, no Egito, no Ocidente greco-romano e na Índia. A mesma ideia, três tradições — não uma exportada às outras.

EIegipciaZodíaco de Dendera — teto do templo de Hathor (relevo em arenito), Louvre, inv. E 13482
TSocidental tropicalPtolomeu, Tetrabiblos I.23 — "Of Faces, Chariots, and the Like"
TSvedicaVarahamihira, Bṛhat Jātaka 27.1 (o 1º drekkana de Áries — a iconografia dos 36 drekkanas)

As exaltações — o mesmo mapa de honras planetárias

O Sol se exalta em Áries tanto no Ocidente (Ptolomeu) quanto na Índia (Bṛhat Jātaka) — um mapa de honras planetárias de raiz babilônica que gregos e indianos guardaram, cada um na sua língua e na sua fonte.

TSocidental tropicalPtolomeu, Tetrabiblos I.19 — "Of Exaltations"
TSvedicaVarahamihira, Bṛhat Jātaka I.13 (uccha/neecha — os signos e graus de exaltação e queda dos grahas)

O zodíaco de doze signos — uma invenção, muitas heranças

Partir a eclíptica em doze signos, na mesma ordem do Cordeiro ao Peixe, é uma herança babilônica única que três tradições guardaram cada uma à sua maneira: a Pérsia os nomeia na sua própria língua, a Índia os lê como o corpo do Homem Cósmico, e o Ocidente os conta a partir do ponto vernal. O mesmo esqueleto do céu, três vozes.

TTpersa arabeBundahishn II.2 (a formação dos luminares — os doze nomes do zodíaco)
TSvedicaVarahamihira, Bṛhat Jātaka I.4 (a distribuição dos signos no corpo de Kālapuruṣa)
TSocidental tropicalPtolomeu, Tetrabiblos I.10 — "Of the Effect of the Seasons and of the Four Angles"

O primeiro decano de Áries — o mesmo homem, em dois continentes

A ressonância mais específica do corpus, e a que mais arrepia: o 1º decano/drekkana de Áries é descrito como quase a MESMA figura — um homem negro, de olhos vermelhos, envolto em branco — na tradição hermética (via Agrippa) e no Jyotish indiano (via Bṛhat Jātaka). Não uma doutrina abstrata compartilhada, mas a mesma imagem concreta, num sinal de raiz helenística comum.

TSegipciaHeinrich Cornelius Agrippa, De Occulta Philosophia (Três Livros de Filosofia Oculta), Livro II, cap. 37 ('Das imagens das faces') — a imagem da 1ª face de Áries. Tradução inglesa de J.F. (James Freake), 1651, domínio público.
TSvedicaVarahamihira, Bṛhat Jātaka 27.1 (o 1º drekkana de Áries — a iconografia dos 36 drekkanas)

O homem zodiacal — o céu desenhado sobre um corpo

Mapear os doze signos sobre o corpo humano, da cabeça (Áries) aos pés (Peixes), é uma doutrina que o Ocidente (Firmicus, no latim de Kroll) e a Índia (o Kālapuruṣa do Bṛhat Jātaka) sustentam com a MESMA ordem — a cabeça em cima, os pés embaixo, o zodíaco inteiro no corpo de um homem. A melothesia grega e o Kālapuruṣa hindu são o mesmo gesto.

ECocidental tropicalFirmicus Maternus, Mathesis II.XXIV (quae membra corporis singula signa retineant) — a melothesia, o homem zodiacal
TSvedicaVarahamihira, Bṛhat Jātaka I.4 (a distribuição dos signos no corpo de Kālapuruṣa)

Os domicílios dos luminares — o Sol em Leão, a Lua em Câncer

Que o Sol governe Leão e a Lua governe Câncer é a mesma regra no Ocidente (Ptolomeu) e na Índia (Varahamihira lista os senhores dos signos, e os luminares caem exatamente aí). Não uma coincidência de duas invenções, mas um só mapa de regências que as duas tradições herdaram e guardaram.

TSocidental tropicalPtolomeu, Tetrabiblos I.17 — "Of the Houses of the Several Planets"
TSvedicaVarahamihira, Bṛhat Jātaka 1.6 (os senhores dos doze signos, de Áries em diante — a Lua em Câncer, o Sol em Leão).

As modalidades — Câncer, um signo móvel dos dois lados do mundo

Dividir os doze signos em três modos — móvel, fixo e dual — é doutrina do Ocidente (Ptolomeu: tropicais, sólidos, bicorpóreos) e da Índia (chara, sthira, dvisvabhava). E as duas concordam no detalhe: Câncer é um signo MÓVEL/tropical nas duas. O mesmo esqueleto de qualidades, no mesmo signo, em duas tradições.

TSocidental tropicalPtolomeu, Tetrabiblos I.11 — "Of Solstitial, Equinoctial, Solid, and Bicorporeal Signs"
TSvedicaVarahamihira, Bṛhat Jātaka I.11 (a natureza alternada dos signos: maléfico/benéfico, masculino/feminino, móvel/fixo/dual)

As fontes que sustentam a biblioteca

Por trás das folhas há um corpus de 96 fontes verificadas — cada uma aberta, lida e conferida. Classificamos todas pela escala. O que se vê abaixo é o teto que cada fonte sustenta, não o selo de uma afirmação: o selo de uma frase exige a prova daquela frase.

Família TEXTO — quão perto do texto estamos:

MP14
EC14
TS17
TT0

Família ERUDIÇÃO — quem analisa, e com que autoridade. Para uma tradição viva, oral ou de folha de palmeira, esta é frequentemente a melhor fonte possível:

EP14
EI3
ET5

E onde a nossa própria escala ainda falha

18 das 96 fontes não têm selo possível. Não porque sejam fontes ruins — porque a escala ainda não sabe classificá-las.

Publicamos isto porque uma norma que esconde o próprio buraco não tem autoridade para exigir honestidade de ninguém.

A escala

A escala mede uma coisa só: quão perto do texto nós estamos quando afirmamos algo. Ela não mede se a afirmação é verdadeira, nem se a tradição funciona — o selo atesta a transmissão, nunca a doutrina. E o selo é da afirmação, não da folha nem da obra: a mesma página pode trazer um verso em fac-símile e, no parágrafo seguinte, uma crença corrente sem fonte localizável. As duas coisas são ditas, lado a lado, com os seus selos.

Os degraus — a testemunha

Ordenados. Exatamente um por afirmação: o mais alto que a prova sustentar.

MP Manuscrito primário

Fac-símile ou edição diplomática da fonte original — códice, folha de palmeira, papiro, inscrição, estela. O texto na sua materialidade: estamos olhando para a coisa, não para o relato dela.

No nosso corpus: O Códice Borbónico na edição Loubat de 1899, digitalizado pela FAMSI — a folha do tonalpohualli como ela foi pintada.

EC Edição crítica

Edição acadêmica com aparato: variantes colacionadas, datação discutida, texto estabelecido, editor nomeado. A filologia já fez o seu trabalho — e nós o creditamos.

No nosso corpus: As Anthologiae de Vettius Valens na edição de Wilhelm Kroll (1908), no Internet Archive.

TS Tradução secundária

Tradução feita a partir do original, com tradutor e edição nomeados — a ponte honesta entre a língua da fonte e a nossa.

No nosso corpus: O Popol Vuh vertido do k'iche' por Allen J. Christenson, hospedado pelo Mesoweb: o original e a tradução correm lado a lado.

TT Tradução de tradução

O texto chegou até nós por uma língua-ponte, e a cadeia INTEIRA é declarada (ex.: sânscrito → inglês → português). Cadeia não declarada não é TT: é NV.

No nosso corpus: Um verso do Bundahishn lido em português a partir da versão inglesa de E. W. West — pahlavi → inglês → português, os três elos ditos.

NV Não verificada

A afirmação circula no campo, mas não localizamos fonte que a sustente. Entra MARCADA como NV, ou não entra. É o último degrau em que uma afirmação ainda se sustenta de pé.

No nosso corpus: Uma afirmação cujo único respaldo é o corpus da tradição (a fonte que LOCALIZA, não a que ATESTA) — hoje, a maior parte da nossa biblioteca. Selo herdado não existe.

As marcas — cavalgam sobre qualquer degrau

Não são posições na escada; qualificam a que houver, e podem coexistir.

AT Atribuição tradicional

A tradição afirma uma autoria ou antiguidade que a filologia não confirma. Dito como CRENÇA, nunca como fato. A marca é independente do degrau — as duas verdades convivem sem que uma minta pela outra.

No nosso corpus: O 淵海子平 é testemunha textual sólida E atribuição tradicional a Xu Ziping: escreve-se EC·AT.

ER Errata conhecida

A passagem tem erro documentado — de edição, de tradução ou de transmissão. O erro é dito, não escondido, e o que se sabe do correto vem junto. Uma errata não rebaixa o degrau.

No nosso corpus: Um fac-símile com erro de transmissão conhecido é MP·ER — continua sendo o manuscrito.

A família ERUDIÇÃO — quem analisa, e com que autoridade

Os degraus medem quão perto do texto estamos. A erudição não transmite o texto — ela o analisa. Não é um degrau mais baixo: é outro eixo. Uma afirmação carrega um selo de cada família, quando couber.

EP Erudição revisada por pares

Autor nomeado, em editora acadêmica ou periódico com revisão por pares. Não transmite o texto: analisa a tradição. Para uma tradição viva, oral ou de folha de palmeira, esta é frequentemente a MELHOR fonte possível — e a mais honesta.

No nosso corpus: Clifford Geertz sobre o calendário balinês; 김만태 (Kim Mantae) sobre o Saju, na academia coreana de 명리학; Stéphanie Homola sobre o Zi Wei (Berghahn).

EI Erudição institucional

Museu, biblioteca, arquivo ou enciclopédia acadêmica — a instituição responde pelo que publica, mesmo sem autor individual nomeado.

No nosso corpus: O registro do Zodíaco de Dendera no Louvre; a Enciclopédia da Cultura Coreana (한국학중앙연구원); as fichas dos códices maias na FAMSI e na SLUB Dresden.

ET Fonte terciária

Enciclopédia aberta e afins (Wikipedia). É porta de entrada, nunca prova: ENTRA MARCADA, ou não entra. Um ET sozinho não sustenta uma afirmação — sustenta a busca por uma fonte melhor.

No nosso corpus: Os 6 verbetes de Wikipedia do nosso corpus, que até a v1.0 dividiam o mesmo rótulo 'erudição' com Geertz e Pingree — e não podem.

A regra que conserta um viés nosso. Até a v1.0, esta escala só sabia medir texto — e as tradições vivas, orais ou de folha de palmeira apareciam como “sem fonte”. Não porque as fontes fossem ruins: porque a régua era a errada. Uma glosa balinesa pode ser, honestamente, LC no eixo do texto (não há lontar digitalizado — a lacuna é dita) e EP no eixo da erudição (Geertz, revisado por pares). Escreve-se LC·EP. Isso é rigor — e não é vergonha.

E a lacuna

LC Lacuna

Não existe fonte digna, e por isso NÃO SE AFIRMA. A lacuna ocupa o lugar onde uma afirmação seria esperada e declara a ausência, em vez de preenchê-la com invenção. NV é o último degrau em que uma afirmação se sustenta; LC é onde a casa se cala.

No nosso corpus: Os hieróglifos egípcios do pergaminho: nenhuma fonte traz o traço real, e nada de transliteração fingindo ser glifo. A ausência é dita.

NV é o último degrau em que uma afirmação ainda se sustenta de pé. LC é o lugar onde a casa se cala. Entre inventar e admitir a lacuna, admite-se a lacuna — sempre.

A prova

Do degrau TT para cima, um selo sem prova não é selo: é alegação. Exige-se, no mínimo:

É a mesma lei que o nosso corpus de dados já cumpre: nada é asseverado sem ter sido buscado, aberto e lido — e o que não se alcança vira lacuna declarada, com o motivo.

A quem devemos

Nada do que classificamos foi feito por nós. Alguém copiou aquele códice à mão, alguém colacionou as variantes por trinta anos, alguém digitalizou o fólio, alguém paga o servidor que o serve de graça ao mundo. Por isso o crédito é campo obrigatório da norma, e não um agradecimento no fim da página. Estas casas são nomeadas, nunca consumidas em silêncio:

E cada editor, tradutor e digitalizador pelo nome, na afirmação que carrega o seu trabalho.

Use esta escala

Qualquer plataforma, escola, biblioteca ou pesquisador pode adotar esta escala — usá-la, citá-la, estendê-la, discordar dela em público. A licença é CC BY 4.0: leve, credite, use.

Isto não é generosidade; é a condição de existência de uma norma. Quem define a norma do campo é dono dela para sempre — e só é norma se os outros puderem usar.

Se você a adotar, adote também a lei que a sustenta: a dívida vai ao ar junto com o acervo. Uma escala de proveniência usada só para exibir os selos altos é um selo de marketing. O que a torna séria é publicar os NV e os LC — o que ainda não sabemos, dito no mesmo lugar e no mesmo tamanho do que já sabemos.

Como citar

SOLOLOS. Escala SOLOLOS de Proveniência, v1.1. https://sololos.space/proveniencia (2026). Licença CC BY 4.0.

Para consumir a escala em código — escala.json (as 11 siglas, os eixos, a versão e o formato de citação, sob CC BY 4.0). É a norma legível por máquina: outra plataforma pode adotá-la sem copiar à mão.

E para consumir o trabalho, não só a régua — afirmacoes.json traz as 62 afirmações que já selamos em 9 tradições, cada uma com o selo, a obra, o crédito, o link e a prova verbatim, sob CC BY 4.0. Publicar a norma sem o dado seria dar a régua e esconder o que medimos com ela; quem define o campo abre o acervo. As tradições sob o véu da reciprocidade ficam de fora — a reserva é dita, nunca vazada.

Versões

Siglas nunca são reaproveitadas com outro sentido: quem citou a v1.0 continua podendo lê-la. Uma norma que muda em silêncio não é norma — e são 11 selos ao todo.

Correções, disputas e propostas de fonte melhor são bem-vindas, e serão creditadas. Se você tem a edição crítica que nos falta, nós queremos o seu nome no crédito dela.